Será que estamos conectados demais?

Apesar de todos os benefícios da internet, ela se tornou viciante para alguns. Você pode e deve tirar proveito da tecnologia, mas não se esqueça de que o controle é SEU e não da FERRAMENTA


As redes sociais deveriam ser usadas de forma prazerosa, mas acaba virando uma prisão voluntária

Desde que surgiu, nos anos 1960, a internet trouxe muitos benefícios para a sociedade. Nunca tivemos tanto acesso às informações, os limites geográficos foram ultrapassados (pode-se visitar uma cidade do outro lado do mundo com poucos cliques), a comunicação ajudou a conectar pessoas que antes não se conheceriam, além de dar voz a todos.

Só que essas características vantajosas podem se tornar prejudiciais, dependendo da forma como usamos o universo virtual. A sociabilidade, por exemplo, é a que mais vemos se esvair. Basta observar casais e grupos de amigos em bares e restaurantes que, em vez de estarem ali, aproveitando o momento e a companhia, não tiram os olhos das telas dos celulares, interagindo apenas com o mundo online.

O brasileiro passa, em média, nove horas e catorze minutos conectado por dia. O estudo “Espiral da Verdade”, realizado pelo Consumoteca Lab, mostra que 78% dos brasileiros consideram-se incapazes de assimilar todo o conteúdo a que estão expostos diariamente. Mais da metade abre as redes sociais logo que acorda e 33% deles posta imediatamente nas redes sociais tudo que acha de interessante.

Um grupo de pesquisadores da área da saúde da Austrália, Reino Unido, Bélgica e Estados Unidos analisou diversos trabalhos científicos e constatou evidências que passar mais tempo no mundo virtual do que no real pode prejudicar o cérebro, reduzindo a quantidade de massa cinzenta e das conexões entre os neurônios. A função cognitiva é a mais afetada. Há danos na memória, na concentração e, olhem só: também na sociabilidade.

Ansiedade, irritabilidade e frustração são alguns sintomas que podem ser desencadeados pelo uso excessivo da tecnologia, segundo o psiquiatra Aderbal Vieira Jr., responsável pelo setor de tratamento de dependências de comportamentos do PROAD (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

“São emoções que vão se instalando, minando a energia e, nem sempre, nos damos conta. Por isso, a autorregulação é essencial. E, para lidar com isso, é importante ficar atento ao tempo de uso, fazer uma autoanálise sobre qual espaço a tecnologia está ocupando em sua vida e por que é tão importante estar sempre conectado”, afirma o médico.

Sinais de alerta

É necessário enviar essa mensagem enquanto dirige? Ou interromper o trabalho para dar uma olhada rápida no feed? Andar pelas ruas olhando as redes sociais? São esses os primeiros sinais que apontam para um exagero.

Despertar para um uso mais consciente não está diretamente relacionado à obediência das horas, mas um controle e a percepção de que a maioria das urgências é desnecessária. Além disso, existem três situações que podem ajudar a acender o sinal de alerta:

1- Fica mais conectado do que gostaria: a pessoa não quer ficar tanto tempo, mas quando percebe já pegou o celular. As redes sociais deveriam ser usadas de forma prazerosa, mas acaba virando uma prisão voluntária, pois o indivíduo não sente liberdade para buscar outras atrações.

2- Começa a atrapalhar o cotidiano: vai causando prejuízos, como atraso em um compromisso, procrastinação de um trabalho importante, ou seja, esse uso contínuo passa a ter um preço trazendo más consequências.

3- Limitação intelectual: a pessoa começa a perder repertório, pois todo excesso pode provocar um empobrecimento. Você sai com os amigos e só fica de olho nas redes sociais, negligencia a família, vai viajar e se preocupa apenas com a selfie, enfim não é possível limitar a forma de prazer às redes sociais.


As redes sociais deveriam ser usadas de forma prazerosa, mas acaba virando uma prisão voluntária (Foto: Valerie Elash)

Aprenda a se autocontrolar

A sugestão não é tirar o objeto de cena, criando um tipo de abstinência, mas ir diminuindo mesmo o tempo de uso, e buscar substituições como um hobby, um passeio, uma boa conversa.

Desconectar-se um pouco pode fazer a diferença na saúde mental e emocional. Abaixo algumas dicas, do neurocientista Fernando Gomes, para você. Experimente:

1- Reduza o número de vezes que você checa informações e atualizações no celular (há pessoas que checam em intervalos até mesmo menores que de 10 em 10 minutos);

2- Escolha um dia da semana para não acessar as redes sociais (sábado ou domingo são ótimas sugestões);

3- Destine mais tempo para atividades ao ar livre, contato com a natureza, atividades que valorizem o olfato e uma boa conversa presencial por semana com seus amigos.


Desconectar-se um pouco pode fazer a diferença na saúde mental e emocional
(Foto: Rawpixel Com)

E as crianças?

Nem demonizar, nem endeusar. A proposta da aula da VRS Academy * Uso consciente das telas na educação dos filhos*, conduzida pela psicóloga Carolina Bartolomeu, é tratar do uso consciente das telas nas diferentes fases dos filhos: desde a primeira infância até a adolescência.

Cyberbulling, dependência tecnológica e finalidades do uso das telas são alguns dos tópicos tratados.

Venha discutir esse tema tão sensível na VRS Academy! Informações e inscrições aqui.

Renata Perre

About Renata Perre

Formada em Jornalismo e pós-graduada em Comunicação Organizacional. Possui mais de dez anos de experiência em reportagens, assessoria de imprensa, produção de conteúdo e marketing digital. Está sempre em busca de explicações e contextualizações sobre (quase) tudo que permeia sua mente. Quando as encontra, faz jus ao título de Comunicóloga e compartilha com as pessoas o conhecimento recém-adquirido, contando suas experiências e disseminando boas ideias.

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