Que a assertividade seja “the new black”  

Com as redes sociais e o uso massivo das mensagens eletrônicas (e-mails, whatsapp, etc.), um fenômeno alarmante vem ocorrendo: cada vez mais agressividade, seja no vocabulário usado para defender pontos de vista quanto na desqualificação sumária dos argumentos usados pelo interlocutor.


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Parece que a internet funciona como um escudo protetor, que habilita o usuário a escrever o que, como e por que bem entender. Chama atenção até o surgimento da expressão “haters” para denominar as pessoas que postam contra tudo e contra todos nas redes sociais. Isso tudo é ainda mais paradoxal se considerarmos que vivemos em meio à valorização social da diversidade, da tolerância e do respeito, ainda muito circunscrita ao discurso e pouco praticada efetivamente.

 

Essa agressividade destoa também do que se define, atualmente, como comunicação eficaz. Cada vez mais, habilidades interpessoais têm sido contempladas nessa definição, como o diálogo e a assertividade, que ganharam mais destaque do que a própria estrutura da mensagem comunicada.

 

A habilidade de dialogar é fundamental para que haja comunicação e, assim, evitem-se os monólogos disfarçados de diálogo. Mas essa modalidade monologada vem sendo muito praticada, seja em conversas face-a-face ou via internet. Consequentemente, escutar, considerar os pontos de vista do outro, valorizar a diferença, usar as palavras do interlocutor para argumentar são habilidades deixadas de lado, o que é muito prejudicial para as relações interpessoais, para a busca por consensos ou soluções e, claro, para a comunicação.

 

A assertividade, que sempre foi um desafio por não ser uma habilidade inata, quase não é praticada. Há uma preferência pelos extremos: ou parte-se para ofensas, satirização e ridicularização, que caracterizam a agressividade; ou abandona-se a discussão, finge-se concordar e impera o silêncio, que caracterizam a passividade. Dizer o que pretende, sem ofender a si mesmo ou ao outro; admitir um erro ou uma falta de conhecimento de certo dado/tema; estabelecer acordos, ainda que provisórios, e ponderar pontos de vista são ações raras, mas justamente as que levam a comunicação para o caminho da assertividade.

 

Que bom seria se as novas formas de comunicação permitissem mais diálogo e assertividade, em vez de promover a agressividade, como vem ocorrendo. Isso significa que vivemos numa falsa impressão de que nos comunicamos, quando, na verdade, apenas queremos ter acesso e monologar com quem aceita nossas ideias.

 

Quem sabe, com o tempo, nos tornemos mais aptos a comunicar efetivamente, com diálogo e assertividade. Só assim a agressividade cairá de moda e a assertividade, enfim, será “the new black”.

 

Texto de Vívian Rio Stella, publicado originalmente em: http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=1626&ID_COLUNISTA=117

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About Vivian Rio Stella

Sócia-fundadora da VRS Cursos, Palestras e Coaching. Doutora em Linguística pela Unicamp, atua como professora e coach em diversas instituições de ensino e empresas.

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