Apresentar bem em público requer mais do que domínio do tema

por Vívian Rio Stella

Em diferentes esferas de atuação profissional, percebe-se a propagação do mito de que foto24ser profundo conhecedor de um tema basta para falar bem em público. Mas é comum assistir a discursos em público de profissionais experts – seja um diretor de uma área na empresa, um responsável por um importante projeto ou um professor renomado em uma área – e avaliar a mensagem falada como pouco clara ou o orador como pouco envolvido ou preparado.

Conhecer profundamente um assunto é, portanto, apenas o ponto de partida. Demonstrar confiança, ser claro, parecer natural e criar conexão com as pessoas requer também dominar técnicas específicas, praticá-las com frequência e superar desafios individuais.

Usar a potência vocal para impostar a voz e parecer confiante, gesticular de forma a reforçar palavras ditas, fazer pausas estratégicas para destacar informações e estruturar a mensagem de forma clara, organizada e adequada ao público são algumas das muitas técnicas para o desenvolvimento de habilidades comunicativas.  Mas vale salientar: conhecê-las não garante que o indivíduo saiba usá-las.

A prática é fundamental para a incorporação dessas técnicas. É recomendado evitar usar certas fugas, como pedir para um colega mais desenvolto apresentar em seu lugar ou propor que a reunião seja feita com todos sentados (afinal, falar sentado é muito mais cômodo, ainda que mais desafiador para reter a atenção da plateia); expor-se com mais frequência, seja em reunião de condomínio, de escola ou de uma organização da qual faz parte; ensaiar diante do espelho, diante de alguém em quem confie ou diante de um Coach especialista em apresentação em público, em sessões destinadas a esse treino.

Além de aliar técnica e prática, há quem precise superar certas crenças limitantes, como: “sou tímido, por isso não me apresento bem”; “travo e gaguejo diante da plateia”; “tenho medo de que riam do que vou dizer”; “não sei lidar com perguntas”; “esse público é muito difícil”. Essas e tantas outras crenças só servem para baixar a autoconfiança, algo importante para que uma apresentação em público seja bem realizada (além dos outros elementos descritos acima). Em vez de reforçar essa autocrítica, é preciso mentalizar mensagens positivas e reais para potencializar seu desempenho: “já expliquei esse tema diversas vezes, não há porque temer a plateia”; “eu domino mais esse tema do que a plateia”; “não há problema em dizer que não sei a resposta, caso alguém pergunte algo muito específico”.

Essa mudança de atitude, muitas vezes, requer energia extra, exercício constante e, a depender do caso, uma assessoria de um Coach (como contou o Rei George VI, no filme “O Discurso do Rei”, ainda que não seja usada essa denominação). Isso porque essas crenças negativas podem estar tão enraizadas nas práticas do indivíduo, que ele mal consegue pensar em possíveis aspectos positivos. Além disso, a dificuldade em se comunicar diante da plateia pode ser como uma ponta do iceberg, isto é, os desafios podem ser muito maiores do que os relacionados à fala em público. O Coach, nesse processo de desenvolvimento, tem o papel de incentivar o autoconhecimento e a visão mais ampla, para que o Coachee desenvolva não apenas as habilidades comunicativas específicas para falar bem em público como também competências outras, como autopercepção, autocontrole, planejamento, relacionamento interpessoal, tão importantes na atuação profissional nos mais distintos segmentos.

Nota-se, portanto, que apresentar em público com eficiência requer um conjunto de competências, relacionadas ao domínio do tema, à incorporação das técnicas de apresentação por meio da prática e à superação de crenças limitantes. Por aliar tantos aspectos e por haver poucas pessoas que se destaquem por sua competência comunicativa, falar bem para uma plateia (independente de seu tamanho) é um grande diferencial profissional. Vale a pena investir.

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About Vivian Rio Stella

Sócia-fundadora da VRS Cursos, Palestras e Coaching. Doutora em Linguística pela Unicamp, atua como professora e coach em diversas instituições de ensino e empresas.

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